sexta-feira, 18 de abril de 2014

O primeiro ônibus da rodoviária

<3 your body, next to mine <3
Querido,

Me desenrolei de seu corpo hoje de manhã, tirei o lençol sobre meu corpo, abri seu armário e peguei minha roupa, aquela de reserva que sempre deixo, levantei com cuidado para que o colchão não o fizesse acordar, eu sei, você vai ficar muito bravo comigo, ou talvez, eu ainda consiga tirar um lindo sorriso dos teus lábios, os últimos que beijei.
Peguei minha bolsa hoje pela manhã, e saí, saí pela rua por que estava perdida, perdida por ficar em casa, na sua casa, peguei o primeiro ônibus da rodoviária.
Não pense que foi fácil para mim, não foi, e sei que não será fácil quando essa carta chegar por aí e você estiver lendo. Não pense que fugi de nossas responsabilidades, mas era muito pra mim. Não pense que sou uma adulta querendo voltar a ser criança, mas sinto que preciso viver mais, viver mais sem você, aprender a necessitar sua presença.
Dormi pensando em como nossos dias juntos foram bons, e eu não queria dizer adeus, e descobri que não era necessário se eu fosse sem me despedir. Digo que volto, mas não me espere. Pensei em como nos conhecemos, em como foi tudo tão rápido, e em como entramos tão rápido um no outro, nos tornando um, em como você abriu mão de algumas coisas na sua vida para que eu pudesse viver com você, pensei em como fomos fiéis em todas os momentos, verdadeiros em cada ato.
A viagem esta demorada, mas sei que logo chegarei, ou não, talvez eu só escreva para você e não envie a carta, afinal, é muita cara de pau da minha parte estar fazendo isso.
Lembro-me do nosso primeiro olhar, de quando eu estava prestes a desistir daquele primeiro dia de aula, pensava em como nunca tinha me apaixonado por alguém a primeira vista, e você foi e é o primeiro. Me lembro da primeira vez que você beijou minha bochecha, e de como foi gentil ao pedir um beijo no nosso primeiro encontro enquanto assistíamos o filme "Hércules", e em como nós não prestamos atenção no começo da história -risos-, também me lembro de quando seu melhor amigo não aceitou nosso relacionamento, e em como me senti culpada e você me tranquilizou dizendo que não se arrependera de nada. Eu te amo desde este dia querido, desde o dia em que você me ofereceu um lugar ao seu lado, desde o dia em que vi seus olhos pela primeira vez e você viu os meus, desde o dia em que você me levou na sua casa pela primeira vez -Estava bagunçada e você me prometeu que a próxima vez que eu fosse até lá estaria arrumada e não estava, nem na segunda nem na terceira vez- e de quando ganhamos a partida de sinuca naquele bar e as de pebolim no pátio da escola, desde o dia em que vi seus olhos transbordando carinho e cuidado para mim, todos os dias que nossos caminhos lutaram para se encontrar. Mas hoje, nossos caminhos não são mais os mesmos, os meus são ruas de interior precisando ser asfaltadas enquanto os seus são rodovias a serem terminadas.
Pego no sono na cadeira que me aquece essa noite e sonho com nossa manhã se eu acordasse hoje ao seu lado, seria como todas as outras, talvez eu esteja cansada de dias surpreendentes como os nossos.
É, meu amor por você é totalmente incompleto, complicado e fora do entendimento humano.

De sua querida T.

Ao descer do ônibus, não sabia onde estava, tinha escolhido o primeiro destino na rodoviária, estava com tanta pressa, com medo de desistir, que me esqueci. 
A primeira placa que avistei era para turistas, ignorei.
À minha esquerda havia um mercado, e à minha direita do outro lado da rodovia havia um correio. Corri até a passarela mais próxima em direção ao correio, por sorte estavam abertos então pedi para que enviassem a carta, sem preencher o espaço reservado para remetente. Fiquei ali até o balconista entregar a carta em um dos malotes para um colaborador que levou essa caixa até um caminhão, me deixando tranquila em saber que estava a caminho. Meu coração se espremeu e se contorceu lá dentro, como se não tivesse mais espaço. Chorei até não haver mais lagrimas, até não caber mais lagrimas derramadas sobre minha roupa, meus cabelos e minha face. Há oito horas e quarenta e sete minutos havia deixado meu namorado,amigo,companheiro, -Droga, deixarei o espaço incompleto ok ?- sem motivos reais.
Meu mundo havia desmoronado, e eu não sabia para onde ir, não como quando eu e ele fazíamos passeios sem rumo, nós não precisávamos de um destino, nossos destinos eram nós mesmos. 
Foi quando percebi que ele era meu rumo, ele era meu destino, e ele era minha casa, meu porto seguro.Cambaleando fui em direção ao balcão.

- Por favor, onde estou ? - perguntei ao balconista que me atendera a pouco.
-Você esta em Curitiba Srta. - Li seu nome no uniforme, dizia ser "Lincon".

Meu coração parou por alguns instantes, estava em casa, na cidade dele. E a certeza só preencheu o vazio que estava em mim. Ele era a única coisa no mundo que me fazia querer viver desde o dia que o encontrei.
Esperei duas horas intermináveis na rodoviária até que o primeiro ônibus para São Paulo passasse, entrei correndo, sentei-me e não consegui dormir até que o ônibus parasse novamente, tiques nervosos me assombraram a viajem inteira, meu olhos se fechavam e viam feixes de nossos momentos. Apenas esperava que a carta não chegasse antes de mim, que ele apenas não desistisse se lesse a carta antes de minha chegada, mas já eram 9 horas e faltavam três horas até São Paulo.
Ao descer do ônibus fui o mais depressa que consegui até em casa.
Abri o portão que estava apenas encostado, como de costume, ainda corria. Parei diante da porta, meus olhos derramavam lagrimas, e eu não sabia de onde elas realmente vinham e se era de medo ou felicidade por estar ali.
As luzes estavam apagadas, minha cabeça se recostou sobre a porta dura -tínhamos dificuldade em abri-la mas isso não era problema-. Respirei fundo, tentei colocar meu cabelo em ordem, e então a fechadura se mexeu, alguem tentara abrir a porta com dificuldade, logo meu coração voltou a palpitar, ele abriu a porta com força e seu rosto transparecia medo, dor, incompreenção e mais dor. Ficamos ali compartilhando pensamentos, dúvidas.
Dei o primeiro passo mas minhas pernas não me seguravam mais, não tinha mais forças para ficar de pé, tropecei no degrau entre a porta e a entrada e ele estava lá, me segurando no último segundo.
Quando nossos olhos se encontraram, antes mesmo de qualquer coisa, eu precisava saber.

- Você ainda vai me querer ? Vai me querer aqui, com você ? Por que eu não vou suportar mais dor do que eu já estou sentindo ao olhar seus olhos, não suportarei a ideia de te fazer mais triste do que já vejo estar. O ônibus que peguei na rodoviária me levou a sua cidade, e de lá quando a carta estava sendo levada percebi o quando quero você, não necessito, mas quero, quero estar com você em todos os momentos de nossas vidas, quero nossos dias inconstantes e supreendentes, quero acordar todos os dias ao seu lado e quero não fazer planos todos os dias com você, querido, eu te amei desde o nosso primeiro toque... Mas se não for o bastante pra você apenas fale, e eu sairei daqui agora...- Desabei sobre seus braços, minhas mãos sobre seu rosto tentando limpar as lagrimas que ali estavam, enquanto meu coração parava a cada minuto.

Então ele respondeu: 



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