Era uma vez, uma doce princesa, doce
como o doce mais doce que você já conheceu. Ela era adorável, encantadora. Tinha
cabelos castanhos que pendiam sobre seu lindo rosto e caiam em ondas sobre sua clavícula,
corpo esbelto tal como de uma princesa que tinha feito ballet desde pequenina.
Ela seguia os melhores planos que seus pais puderam fazer, era obediente e não
sentia vontade alguma de fazer o contrário. Quando a jovem nasceu a bruxa má enfeitiçou
o reino, e então os sentimento da princesa fariam reflexo a tudo e todos a
partir daquele dia. Se a menina amanhecesse má, o castelo amanheceria mal
também, se ela amanhecesse feliz, tudo se faria feliz também. Mas a princesa
era tão boa que tudo e todos a sua volta eram bons também, e dessa fora, sem
contato com sentimentos ruins o reino sempre foi bom, florido, e feliz. Até que
em um belo dia, a princesa saiu das redondezas do castelo com seu cavalo
branco, e enquanto cantava e colhia frutos avistou um rapaz jovem, alto, branco
como a neve, lábios rubros e vermelhos, cabelos negros como breu, e olhos
castanhos que se destacavam em meio a tanta beleza. A jovem pensou o que
estaria fazendo ali um homem tão doce. Seu destino era casar-se com o princepe
do reino, e assim, dar continuidade ao bondoso reino. Porém, no momento que
seus olhos tocaram os dele, eles tiveram certeza, como a magica que não
presenciavam a tempos que eles tinham sido feitos um para o outro, que o amor
já florescia em seus corações.
Ele era bruto, indelicado, rude, mas
quando os dedos da doce princesa tocavam seu rosto, ele relaxava e sabia que
podia ser tudo que não era por ela. Conforme se conheciam aprendiam como lidar
um com o outro, mas o que ela menos esperava acontecia a cada dia que passava.
Quanto mais bondade o jovem moço via na princesa, mais se afastava pois não se
achava no direito de tê-la sendo como era.
Ela tentava mostrar a bondade que
existia em seu duro coração, mas ele não conseguia enxergar, e nem o amor mais
forte poderia fazer isso por ele, nem o amor mais forte poderia faze-la
desistir dele.
Um belo dia o jovem falou a ela que
não a queria mais, que não a amava. Então a princesa aceitou sem questionar,
pois seu amor era tão sincero e verdadeiro a ponto de abrir mão de ficar perto
dele, de sofrer sozinha para deixa-lo viver feliz, longe dela.
Enganado sobre sua ruindade, quando
viu a princesa indo embora sentiu seu coração despedaçando dentro de si, mas se
manteve firme como tinha aprendido a viver.
A cada passo que ela dava perto do
castelo, quanto mais tristeza levava para lá mais cinza o reino ficava, e as
flores murchavam, e até a rosa mais vermelha secou, e o céu fechou, e nos meses
seguintes só se via chuva, enquanto a princesa encharcava seu travesseiro de
doces lagrimas de amor.
Quando as lagrimas sessaram a
princesa começou a sujar seu doce coração pelo reino que era triste também, se
inundava de tristeza e maldade, e então voltou a procura-lo achando que agora
ele gostaria dela já que ela era tudo que ele dizia querer. Mas não foi
suficiente, o jovem plebeu estava limpando seu duro coração, e se tornara um
homem bom, e já não se encaixavam mais, pois as diferenças só tinham aumentado.
Se perderam aos poucos sem se dar
conta, e o amor que era doce, passou a destruir ambos, pois não conseguiam mais
viver juntos. Ele então se matou por não tê-la feito triste e ter espalhado sua
ruindade pelo doce coração dela. E ela morreu sufocada em sua dor.
O reino voltou a florescer mas desde
então nunca houve amor, o mesmo foi banido do reino, tornando se a metrópole
mais fria de todos os tempos.